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Dupla carreira no futebol: impactos da falta de condições reais na formação e no futuro dos jovens atletas

O Ministério do Esporte, por meio do Programa Excelência para a Vida, reconhece a importância da dupla carreira ao propor ações voltadas à integração entre esporte, educação e trabalho. O Plano de Ação Estratégico para apoio à Transição e à Dupla Carreira Esportiva organiza essa proposta em três eixos: esporte e educação, esporte e trabalho e planejamento da transição de carreira. Esses documentos afirmam que o atleta deve ser preparado para além do período de alto rendimento, recebendo apoio psicológico, qualificação profissional e orientação para inserção no mercado de trabalho.


Dupla carreira no futebol: impactos da falta de condições reais na formação e no futuro dos jovens atletas

Apesar desse avanço institucional, a realidade dos jovens atletas brasileiros revela uma distância significativa entre o discurso e a prática. A rotina dos atletas de base é marcada por treinos intensos, deslocamentos longos, competições frequentes e pressão por desempenho. A escola, por sua vez, raramente oferece flexibilidade de horários ou adaptações pedagógicas que permitam ao jovem conciliar suas responsabilidades esportivas com a formação acadêmica. Esse descompasso resulta em faltas constantes, queda no rendimento escolar e, em muitos casos, evasão.


Pesquisas sobre dupla carreira no Brasil apontam que a falta de articulação entre clubes e instituições de ensino é um dos principais fatores que dificultam a permanência dos atletas na escola. A ausência de políticas públicas que alcancem as categorias de base — especialmente em clubes pequenos e projetos sociais — agrava esse cenário, deixando o jovem sem suporte educacional adequado. Assim, a dupla carreira, que deveria ser uma proteção, transforma-se em uma escolha forçada: ou o atleta se dedica ao futebol, ou se dedica à escola.


Essa escolha é especialmente problemática porque a carreira esportiva é altamente incerta. Poucos atletas chegam ao profissional, e menos ainda conseguem estabilidade financeira. Quando o sonho não se concretiza, o jovem que abandonou os estudos se vê sem diploma, sem qualificação e com poucas alternativas de inserção no mercado de trabalho. A falta de dupla carreira real compromete não apenas o presente, mas também o futuro desses jovens, ampliando o risco de frustração, precarização e exclusão social.


Diante desse cenário, torna-se evidente que a responsabilidade pela dupla carreira é compartilhada. Escolas precisam reconhecer o atleta como sujeito com demandas específicas e oferecer flexibilidade responsável. Clubes e projetos esportivos devem assumir que a formação educacional é parte da formação esportiva. Políticas públicas precisam alcançar a base, garantindo que o direito à educação seja efetivamente assegurado. Sem essa articulação, a dupla carreira permanece como conceito distante da realidade.

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