Por que tantos jovens se perdem no futebol antes de virar jogador?
- Fábio Rodrigues

- 23 de jul.
- 2 min de leitura
Eu convivo diariamente com jovens que sonham em crescer no futebol, e, por isso, falo com segurança: muitos deles não se perdem por falta de talento. O que atrapalha, de verdade, é o que acontece fora do campo. É a falta de orientação, de direção e de alguém que explique como esse mundo funciona. Essa ausência de informação pesa muito mais para quem vive uma rotina apertada e precisa tomar decisões difíceis sem apoio.

Vejo atletas entrando em escolinhas, participando de peneiras, mudando de time e conversando com empresários sem entender o impacto dessas escolhas. Quando ninguém explica, o jovem acaba acreditando em promessas que parecem boas, mas não têm garantia nenhuma. O futebol, por fora, parece simples. Porém, por dentro, é cheio de detalhes, riscos e decisões que podem mudar completamente o futuro de um atleta.
Também observo que muitos desses jovens enfrentam uma vida corrida. Eles lidam com estudo, trabalho, responsabilidades em casa, transporte difícil e pouco tempo disponível. No meio dessa realidade, surge uma oportunidade no futebol. Só que essa oportunidade vem acompanhada de decisões grandes: mudar de bairro, gastar dinheiro que faz falta, deixar o estudo de lado ou assinar um contrato sem entender o que está escrito. Para quem vive com pouco, cada escolha pesa muito mais, e cada erro pode custar o sonho.
Por isso, defendo que caminhar sozinho no futebol é perigoso. Alguns atletas têm estrutura e acompanhamento, mas a maioria aprende tudo sozinha. Aprende a falar com empresário, a escolher time e a se proteger sem orientação. Isso aumenta o risco de cair em promessas vazias e caminhos que não levam a lugar nenhum. É por isso que acredito que o talento ajuda, mas a direção é o que realmente transforma a trajetória de um atleta.
Eu afirmo isso porque vejo acontecer. Quem recebe orientação escolhe melhor. Quem escolhe melhor se protege. E quem se protege consegue mostrar o talento do jeito certo. Por isso faço questão de orientar os jovens com quem trabalho: para que o sonho deles não vire armadilha, mas se transforme em futuro. No futebol, não basta jogar bem. É preciso saber caminhar. E eu estou aqui para ajudar nesse caminho.




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